Domingo é um dia isolado, à parte do restante da semana. Domingo, acho eu, pode ser por definição: ausência, falta. Domingo é carência, é saudade. Domingo faz um convite a reflexões pessoais, comigo é assim. Hoje, domingo, eu decidi não estar pra ninguém; pelo menos não por algumas horas. Eu precisei sair. Eu preciso de uma fuga. Eu preciso de mim. Esse “mim” que já não me é mais tão íntimo faz certo tempo. Meu desejo era fotografar agora tudo o que vejo: mar, sol e areia. Bicicletas, filhos, coleiras.. Elementos que compõem um típico cenário da manhã dominical de uma família saudável, daquelas de novela. Ah, não posso esquecer-me dos casais, obviamente. Entre beijos, caminhada, água de coco e sorrisos apaixonados, eles chamam a atenção. E é nesse momento que sou obrigada a trazê-lo aos meus pensamentos. Ta, obrigada não, é que é inevitável. E depois que o pensamento voa é difícil fazê-lo voltar. Depois de deixar-me sozinha a observar as pessoas, o meu pensamento pôs-se nele e imediatamente o coração aperta, fui surpreendida por um arrepio. Foi como se tivesse sentindo o calor de tais braços a envolver o meu corpo num abraço singular, enquanto parte da minha nuca sentia aquela respiração, agora já não mais tão serena. Meu coração pleno, meu corpo inebriado pela [não]presença. Essa ideia de quase tê-lo [ou não] é desfeita. Desfaz-se apenas quando permito-me trazer à memória os momentos em que o senti, indubitavelmente, meu. Seu abraço, seu sorriso, sua atenção, seu calor, seu corpo, seus lábios.. Pareciam tão meus. Só meus. Gosto dos instantes em que os nossos olhares se cruzam assim, de repente, em meio ao vazio. E nós dois, igualmente sem jeito, somos capazes de retribuir sorrisos sinceros. Pudera eu fazer desses momentos o meu sempre. O caminho que estamos a percorrer é inegavelmente perigoso. Faço-me ciente de todas as incertezas do percurso e jamais transferiria as conseqüências das minhas escolhas. Enfim, o que eu tenho destinado a ele é novo, recente. Algo que é conservado e cultivado num cômodo protegido do meu coração. É intensidade, é calmaria. É semelhança, é analogia, eu diria. É devastador, é furacão. É o sol que aquece o meu corpo, o sorriso que ilumina o meu dia. É o doce perfume exalado pelas flores que desabrocham com o início da próxima estação. É a minha contagiante alegria, a minha imensurável satisfação. É o meu sentimento mais ingênuo, o mais bonito.
domingo, 25 de julho de 2010
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2 comentários:
uma ótima descrição de domingo!
ótimo, xuxa!
começamos bem!
De um simples e metódico domingo colore-se uma subjetivação de elementos que não os deixa apenas como um vazio, opaco ou o que seja. Torna-se particular, porém igualmente igualitário na cabeça de cada um. Muito bom... Um texto puro... um “doce deletério”...um loló de Lolô...rs
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