Fui eu que tomei a primeira decisão. Ainda lembro da ginga, do vestido arrastado, da flor de Liz entre os cabelos crespos e teu toque de suavidade ao rodar. Não consigo, ou talvez não me permito, pensar em outra presença naquele lugar e naquela noite a não ser a tua. Os pés inconfundíveis marcavam a passos firmes o ritmo da dança mística. O aroma das velas de ervas refinadas me acalma mesmo sem o mínimo de carnalidade entre meu ser e o seu diante da boca tua. Distante, ainda te admiro e, ciumento, aguço os tantos anestesiados por teus enlaces e compassos. Aproximo-me, perco a fala, o dom e a calma. Você, tímida, me fala, me questiona, me sopra teus anseios e desejos mais íntimos. Seguro meu violão e esse amor se esvai diante de um dedilhado brotando entre os meus dedos e entre as velhas cordas sentimentos escalados. Quando o vento surge e faz teu corpo marcar tuas belas linhas delineando o pano que te veste e a chuva vem chegando vagarosa e fina, enxergo o teu olhar mirando o céu como quem questiona. Desvisto-me. Tento, ao menos, te proteger da ação da imatura água, mas você ignora. Beija-me a face como quem agradece. Não me satisfaço, pois parece que você evita, parece que corre. Os labirintos proporcionados pela solidão da noite são bem vindos nessa noite. Teu vestido molhado, seu cabelo encharcado e ainda sim a sutileza se mostra através do teu corpo. É impossível meu desejo de querer que se rendesse aos meus encantos e que permitisse a alocação dos meus sentimentos, os mais intensos desse mundo, em teu coração. Não entendo em suma maioria seus gestos. Procuro-te e ao chegar perto da deserção da praia brava, lá está você e de longe, junto a um rochedo, me purifico por teu olhar, por teu sorriso.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
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